domingo, 14 de junho de 2009

Before Sunrise

OK, como dizemos por aqui, o tempo não foi generoso com Ethan Hawke... Mas em "Antes do Amanhecer" (1995) ninguém pode negar que ele batia um bolão. Momento nostalgia desse filme que marcou nossas vidas. Quem nunca sonhou encontrar um beautiful stranger num trem, viajando pela Europa??



E aqui, a musiquinha adorável de Kath Bloom, pano de fundo da cena mais desconcertante do filme (tá, não é só pano de fundo...):


There's a wind that blows in from the north
And it says that loving takes this course
Come here
No I'm not impossible to touch
I have never wanted you so much
Come here
Have I never laid down by your side
Baby, let's forget about this pride
Come here
Well I'm in no hurry
Don't have to run away this time
I know you're timid
But it's gonna be all right this time

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tudo está na natureza, encadeado e em movimento -cuspe, veneno, tristeza, carne, moinho, lamento, ódio, dor, cebola e coentro, gordura, sangue e frieza. Isso tudo está no centro de uma mesma e estranha mesa. Misture cada elemento -uma pitada de dor, uma colher de fomento, uma gota de terror. O suco dos sentimentos, raiva, medo ou desamor, produz novos condimentos, lágrima, pus e suor. Mas, inverta o segmento, intensifique a mistura, temperódio, lagrimento, sangalho com tristezura, carnento, venemoinho, remexa tudo por dentro, passe tudo no moinho, moa a carne, sangue e coentro,chore e envenene a gordura. Você terá um unguento, uma baba, grossa e escura, essência do meu tormento e molho de uma fritura de paladar violento que, engolindo, a criatura repare o meu sofrimento com a morte, lenta e segura.

Eles pensam que a maré vai mas nunca volta Até agora eles estavam comandando o meu destino e eu fui, fui, fui, fui recuando, recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta e tão forte quanto eles me imaginavam fraca. Quando eles virem invertida a correnteza, quero saber se eles resistem à surpresa, quero ver como eles reagem à ressaca.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Chão nos pés

Depois de dias de mind games inúteis, angústias do futuro, confusão física e psicológica, hoje deu um clic. Uma frase que eu ouvi foi suficiente pra colocar, pelo menos por enquanto, minha cabeça no lugar. Foi como se eu estivesse num carro sem freio, passando sinal vermelho, batendo em poste, levando o que via pela frente, e de repente uma mão enorme parasse na frente do carro, e impedisse o resto da “corrida maluca”. E depois, silêncio. Que bom. Deus te abençoe, minha irmã.
PS1: hoje falei com a Branca, amigona de longa data que tá lá na Argentina. Saudade imensa da minha Whitney Houston!
PS2: o blog adquiriu um caráter confessional da minha pessoa de uns tempos pra cá - DESCARACTERIZOU-SE. Peço encarecidamente textos das outras bruxas.

domingo, 3 de maio de 2009

Bruxa-mor em Água Viva

Aquilo que ainda vai ser depois - é agora. Agora é o domínio de agora. E enquanto dura a improvisação, eu nasço.
E eis que depois de uma tarde de "quem sou eu" e de acordar à uma hora da madrugada ainda em desespero - eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar.
O que te escrevo é um "isto". Não vai parar: continua.
Olha pra mim e me ama. Não: tu olhas pra ti e te amas. É o que está certo.
O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.
"Claríssima" Lispector

sábado, 2 de maio de 2009

Platão, por que você fez isso comigo?

por que a gente se ilude?
por que se confunde?
por que quer se convencer?
por que cai e se levanta?
por que quer cair de novo?
por que gosta de cair de novo?

é só a vida
e aquilo que se esperava dela
e as mentiras que são ditas todos os dias
pra não se morrer de tédio

terça-feira, 28 de abril de 2009

Silence

All those places
Where I recall the memories
That gripped me
And pinned me down
I go to these places
Intending to think
To think of nothing
No anticipate
And somehow expect
You'll find me there
That by some miracle
You'd be aware
I'd risen this morning
Determined to break
The spell of my longing
And not to think
I freed myself from my family
I freed myself from work
I freed myself
I freed myself
And remained alone
And in my thinking
Steal you away
Though you never wanted me
Anyway
Silence

(PJ Harvey)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mapa de Conceito

“Não fale do que não sabe...”
Fale menos ainda do que você sabe!
Porque as coisas estão aí
Impassíveis
E SÃO
Independentes da tua descrição
Do teu notar

Porque cada palavra dita fere outra impronunciada e, para cada afirmação, enormes possibilidades se aniquilam. Como quando se escolhe uma porta e se rejeita as outras milhões.

Sem contar as classificações, os resumos, as rotulações
Colocar tudo na prateleira

específica da qual não se

pode fugir

Que destino ingrato o de tudo!
E o meu
E o teu

Dito assim parece difícil viver
Com as coisas soltas
Voando pelas nossas cabeças
À espera de uma definição
Mas quando se aprende,
Fica claro
Que por chance
Tudo encontra seu lugar
E (são) situações (que) criam novos significados
Antes impensados
Muito mais interessantes
Desvinculados
Descaracterizados
Livres

sexta-feira, 27 de março de 2009

3 Rádio-canções-cabeça

Neste exato momento eu ouço a canção da sorte, que cantei ontem.
Vai ser um dia glorioso. Sinto que vai mudar.
Ele sempre canta de olhos fechados, é tão lindo.

A cavalaria chega com bravura
Vem
Você e os seus camaradas
Todo o Império Romano
Mas nossos cavalos são espíritos
Que conduzimos pela noite adentro

Desta vez tudo está no seu devido lugar.
São reações químicas e descargas elétricas,
E a mulher-robô vira de carne e osso e abre os olhos.
Agora tudo está escuro
E a música cessa devagar.
(Exatamente a essa hora eu poderia estar sobrevoando o Atlântico pra encontrar a ilha)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Momento Milton

Um dia eu escrevo sobre o que eu acho do Milton. Nascimento, é claro.
Por hora, esse humilde trecho de Minas Gerais, que ontem eu ouvi e lembrei que gosto tanto.

Todas as canções inutilmente
Todas as canções eternamente
Jogos de criar sorte e azar
...
Aliás, Geraes é um dos 3 discos nacionais preferidos dessa que vos escreve.



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Eu na Globo

Quem diria que um dia eu ia conhecer o Projac??!
É, os produtores colombianos de "El Clon" precisavam de mim, vejam só. Queriam saber se era possível fazer clone de gente. Ainda não, queridos, só na novela. E de novela.
Daí tava me perguntando quem eu queria encontrar na Globo, pedir autógrafo, tietar e tals. Sabe que nem sei? Acho que todo mundo que eu gosto já morreu. Só se fosse a coisa linda do Wagner Moura, ou o gracinha do Caco Ciocler. Mas fui poupada do acesso de timidez e só vi a Glória Perez. Parece bem, mas nem conversamos. Ela tinha que escrever umas 30 páginas, tava suuuuupeRRR atrasada. Vai lá, Glorinha, precisamos muito de você. Afinal, sem sua "obra", como o povão saberia distinguir indianos de árabes, não é mesmo?
(Sou só eu que acho que Caminho das Índias é o clone d´O Clone??)

Ah. E o Rio de Janeiro continua lindo...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Momento imagem do dia

Xiitas atrás do pano
(isso não é uma pintura, É UMA FOTO)

Das Glasperlenspiel III - final

Depois de algum tempo, percebi que quase fiz uma resenha – muito mal feita, por sinal. E nada de impressões sobre o livro. Dã.
Tá. As impressões são as melhores, é claro, se não nem escreveria nada. Mas elas dependem do final, por isso fica difícil comentar. Nada de spoiler.
Mas dá pra escrever que li num momento certo da vida, quando fez todo sentido. E não é muito fácil admitir isso.

Vcs não acham que tá chovendo muito nessa cidade?
O problema é que eu gosto...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Das Glasperlenspiel II (continuação)

A história conta a vida de José Servo, um cara do bem, modesto e cheio de virtudes. Nosso protagonista vive numa espécie de feudo em pleno século 23 chamado Castália. Imagina um lugar onde é conservada e cultuada toda a sorte de arte e ciência, onde tudo o que a sabedoria da nossa espécie alcançou pôde ser arquivado, estudado e ampliado... Assim é Castália. Um oásis no deserto de desinteresse e miséria do mundo, criado justamente para proteger o pouco que restava da inteligência humana. Um verdadeiro paraíso da Elite (como eles mesmos se denominam), regado a muita meditação e serenidade. Mas o que define e torna Castália especial é a prática do Jogo de Avelórios - ou Jogo das Contas de Vidro. Dessa vez tente imaginar um jogo que concentra e interliga tudo o que a mente humana já produziu. Encare uma relação entre Teoria das Cordas, contos de fada e Blade Runner (! – ok, eu sei que vejo Blade Runner em tudo...). Mas lembre-se: o modo como você tece essa ligação é por meio de matemática e música. A-há! O sonho dos caras do The Big Bang Theory...
Voltando a Servo: desde pequeno ele se interessava por atividades mais elevadas, espirituais, e essa qualidade foi logo percebida por um Mestre de Música do lugar, que o iniciou na arte de Bach. Servo era um estudante como outro, não fosse o fato de o destino lhe incumbir de certos desafios, como ter que defender Castália e a sua existência frente a um mundano convicto, Plínio Designori, que veio aprender um tempo nas escolas da comunidade. Ou quando teve que justificar sua vida sem “propósitos maiores” quando passou uma temporada com um beneditino, o padre Jacobus. O que vai se tecendo na mente do leitor é esta incongruência: como preservar tão elevada casta entre uma multidão de homens comuns? que tipo de troca existe entre dentro e fora de Castália para justificar o “patrocínio” dos outsiders? ou melhor, pra quê Castália, um reino de cristal que vive de si mesmo e isolado dos problemas reais dos homens?
Servo também começa a ter dúvidas sobre o porquê deve existir essa Elite, e mesmo ao ocupar o posto mais alto da hierarquia – como Magister Ludi, o Mestre do Jogo de Avelórios –, suas angústias com relação a sua função no universo ressurgem com mais força. Depois de alguns anos como Magister Ludi, José Servo enfim abandona a Aldeia dos Jogadores e seu elevado cargo, renegando sua privilegiada condição e aceitando o desconhecido atrás dos muros. Servo se desfez das suas insígnias diante dos poderosos da Elite, apoiado menos na inadequação de Castália frente à roda da vida do que na sua própria vontade de conhecer o mundo. Negando o conselho dos sábios e disposto a enfrentar esse desafio, ele decide se entregar à tarefa não menos ilustre de educar o filho de seu opositor da infância, Plínio. A biografia de Servo termina aqui, com um desfecho triste (?) que evidentemente não direi (ó). Depois a obra segue expondo algumas poesias escritas pelo jovem José Servo e a narração de três histórias fundamentalmente diversas, porém interconectadas pela sacada magnífica de Hesse: todas representam o ciclo da existência de um homem que quer simplesmente aprender e ficar livre do fardo da ilusão e da vaidade. Nada fácil, meu amigo.

Pronto, falei. E tô triste de novo...
Leia o livro. Pra gente poder discutir depois.

Das Glasperlenspiel I

Tô de luto por um livro, existe isso? Se não existe, acabei de inventar. É uma tristeza de perder. Que estranho. Mas perder o quê, exatamente? Não é perder no sentido físico, é claro, porque o livro continua aqui, na minha preciosa prateleira. Perco talvez a emoção de ter lido pela primeira vez, foi-se o prazer de ser conduzida para um mundo novo, desconhecido. Talvez seja isso.

A obra que me custa deixar pra trás é O jogo das contas de vidro, do Hermann Hesse. Confesso que enrolei o mais que pude no final, vendo que faltavam poucas páginas, mas o destino é inexorável. Queria escrever algumas palavras sobre ele, mas adianto que não tenho muito dom pra coisa. De qualquer maneira, o que escrevo não é uma crítica, E SIM UMA SUGESTÃO... rs. Brincadeira. Vou escrever porque é bom falar dos mortos – assim eles podem ficar mais um pouco com a gente. E longe de fazer uma resenha, essa será a minha impressão sobre o livro. Será que eu consigo??

(CONTINUA...)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pra começar

... quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo?


"Peace on Earth.
We sing it.
We’ve paid a million priests
To bring it.
After 2000 years
Of Psalms
We’ve got as far as atom bombs."