A história conta a vida de José Servo, um cara do bem, modesto e cheio de virtudes. Nosso protagonista vive numa espécie de feudo em pleno século 23 chamado Castália. Imagina um lugar onde é conservada e cultuada toda a sorte de arte e ciência, onde tudo o que a sabedoria da nossa espécie alcançou pôde ser arquivado, estudado e ampliado... Assim é Castália. Um oásis no deserto de desinteresse e miséria do mundo, criado justamente para proteger o pouco que restava da inteligência humana. Um verdadeiro paraíso da Elite (como eles mesmos se denominam), regado a muita meditação e serenidade. Mas o que define e torna Castália especial é a prática do Jogo de Avelórios - ou Jogo das Contas de Vidro. Dessa vez tente imaginar um jogo que concentra e interliga tudo o que a mente humana já produziu. Encare uma relação entre Teoria das Cordas, contos de fada e Blade Runner (! – ok, eu sei que vejo Blade Runner em tudo...). Mas lembre-se: o modo como você tece essa ligação é por meio de matemática e música. A-há! O sonho dos caras do The Big Bang Theory...
Voltando a Servo: desde pequeno ele se interessava por atividades mais elevadas, espirituais, e essa qualidade foi logo percebida por um Mestre de Música do lugar, que o iniciou na arte de Bach. Servo era um estudante como outro, não fosse o fato de o destino lhe incumbir de certos desafios, como ter que defender Castália e a sua existência frente a um mundano convicto, Plínio Designori, que veio aprender um tempo nas escolas da comunidade. Ou quando teve que justificar sua vida sem “propósitos maiores” quando passou uma temporada com um beneditino, o padre Jacobus. O que vai se tecendo na mente do leitor é esta incongruência: como preservar tão elevada casta entre uma multidão de homens comuns? que tipo de troca existe entre dentro e fora de Castália para justificar o “patrocínio” dos outsiders? ou melhor, pra quê Castália, um reino de cristal que vive de si mesmo e isolado dos problemas reais dos homens?
Servo também começa a ter dúvidas sobre o porquê deve existir essa Elite, e mesmo ao ocupar o posto mais alto da hierarquia – como Magister Ludi, o Mestre do Jogo de Avelórios –, suas angústias com relação a sua função no universo ressurgem com mais força. Depois de alguns anos como Magister Ludi, José Servo enfim abandona a Aldeia dos Jogadores e seu elevado cargo, renegando sua privilegiada condição e aceitando o desconhecido atrás dos muros. Servo se desfez das suas insígnias diante dos poderosos da Elite, apoiado menos na inadequação de Castália frente à roda da vida do que na sua própria vontade de conhecer o mundo. Negando o conselho dos sábios e disposto a enfrentar esse desafio, ele decide se entregar à tarefa não menos ilustre de educar o filho de seu opositor da infância, Plínio. A biografia de Servo termina aqui, com um desfecho triste (?) que evidentemente não direi (ó). Depois a obra segue expondo algumas poesias escritas pelo jovem José Servo e a narração de três histórias fundamentalmente diversas, porém interconectadas pela sacada magnífica de Hesse: todas representam o ciclo da existência de um homem que quer simplesmente aprender e ficar livre do fardo da ilusão e da vaidade. Nada fácil, meu amigo.
Pronto, falei. E tô triste de novo...
Leia o livro. Pra gente poder discutir depois.
Voltando a Servo: desde pequeno ele se interessava por atividades mais elevadas, espirituais, e essa qualidade foi logo percebida por um Mestre de Música do lugar, que o iniciou na arte de Bach. Servo era um estudante como outro, não fosse o fato de o destino lhe incumbir de certos desafios, como ter que defender Castália e a sua existência frente a um mundano convicto, Plínio Designori, que veio aprender um tempo nas escolas da comunidade. Ou quando teve que justificar sua vida sem “propósitos maiores” quando passou uma temporada com um beneditino, o padre Jacobus. O que vai se tecendo na mente do leitor é esta incongruência: como preservar tão elevada casta entre uma multidão de homens comuns? que tipo de troca existe entre dentro e fora de Castália para justificar o “patrocínio” dos outsiders? ou melhor, pra quê Castália, um reino de cristal que vive de si mesmo e isolado dos problemas reais dos homens?
Servo também começa a ter dúvidas sobre o porquê deve existir essa Elite, e mesmo ao ocupar o posto mais alto da hierarquia – como Magister Ludi, o Mestre do Jogo de Avelórios –, suas angústias com relação a sua função no universo ressurgem com mais força. Depois de alguns anos como Magister Ludi, José Servo enfim abandona a Aldeia dos Jogadores e seu elevado cargo, renegando sua privilegiada condição e aceitando o desconhecido atrás dos muros. Servo se desfez das suas insígnias diante dos poderosos da Elite, apoiado menos na inadequação de Castália frente à roda da vida do que na sua própria vontade de conhecer o mundo. Negando o conselho dos sábios e disposto a enfrentar esse desafio, ele decide se entregar à tarefa não menos ilustre de educar o filho de seu opositor da infância, Plínio. A biografia de Servo termina aqui, com um desfecho triste (?) que evidentemente não direi (ó). Depois a obra segue expondo algumas poesias escritas pelo jovem José Servo e a narração de três histórias fundamentalmente diversas, porém interconectadas pela sacada magnífica de Hesse: todas representam o ciclo da existência de um homem que quer simplesmente aprender e ficar livre do fardo da ilusão e da vaidade. Nada fácil, meu amigo.
Pronto, falei. E tô triste de novo...
Leia o livro. Pra gente poder discutir depois.